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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Concurso AGU 2012 – 70 vagas com salário de R$ 14.970,60



Publicado em 27 abril, 2012
Advocacia-Geral da União divulgou, no “Diário Oficial União” desta sexta-feira (27), na Seção 3, páginas 89 a 96,  o edital de abertura do concurso público para provimento de 70 vagas para cargo de procurador da Fazenda Nacional de 2ª categoria. O rendimento inicial é de R$ 14.970,60.

Requisitos

Um dos requisitos para participar da seleção é ter nível superior em direito, registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e dois anos de prática forense.

Inscrição concurso  AGU 2012

As inscrições serão recebidas no período de 14 e 27 de maio  pelo site www.esaf.fazenda.gov.br. 
A taxa de inscrição é de R$ 130,00.

COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES SÃO CONSTITUCIONAIS

Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade
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 O Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quinta-feira, 26/04/2012, que 
sistema que garante cotas nas universidades aos grupos tradicionalmente excluídos 
da sociedade, como negros e índios, é constitucional.

O Supremo reconheceu por unanimidade que a reserva de vagas para as chamadas 
minorias raciais consagra os princípios da Constituição de 1988 que defendem a
 igualdade de direitos.

O juiz Joaquim Barbosa, único integrante negro do Supremo, ao justificar seu voto 
disse que é 'natural' que este tipo de política encontre 'resistência dos que 
historicamente se beneficiaram da discriminação'.

O caso foi para no STF por pedido do partido Democratas (DEM), que 
considerava as cotas injustificadas numa sociedade miscigenada como a 
brasileira. O DEM argumentava que a política de reserva de vagas gerava mais 
segregação do que integração.

O julgamento de hoje se referia especificamente ao caso da Universidade de Brasília 
(UNB), primeira instituição pública que decidiu aplicar as cotas, em 2004, quando 
começou a reservar 20% das suas matrículas para negros e mulatos e a incluir 
indígenas entre seus alunos.

Atualmente, cerca de 70 universidades públicas aplicam esta política em todo o país. 
As instituições seguem recomendações do então governo de Luiz Inácio Lula da Silva, 
que orientou as instituições a aplicar medidas de 'discriminação positiva' em relação 
à população negra.

Cerca de metade da população brasileira se considera negra ou mulata, segundo o 
censo de 2010. 

E você, o que acha dessa decisão? 
Aproveite o espaço para comentários em nosso blogue e opine!.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Nicotina: Adesivos e chicletes não ajudam a parar de fumar



Nicotina: Adesivos e chicletes não ajudam a parar de fumar
Nicotina: Adesivos e chicletes não ajudam a parar de fumar
Adesivos e chicletes de nicotina são usados por milhões de fumantes, mas eles podem não trazer nenhum benefício duradouro, de acordo com o mais rigoroso estudo de longo prazo já realizado.

O estudo incluiu cerca de 800 pessoas tentando parar de fumar durante um período de vários anos e levantou o debate sobre a validade de alternativas para a nicotina e sua reposição a partir de produtos como os adesivos e chicletes.

Em estudos médicos, os produtos tem se revelado eficazes, fazendo com que as pessoas larguem o cigarro mais facilmente, pelo menos a curto prazo. Esses resultados animadores foram a base para diretrizes federais que recomendam os produtos para o fim do tabagismo.

Mas na nova pesquisa, fumantes que usaram os produtos de reposição de nicotina mais do que o recomendado, como parte de um programa ou por conta própria, relataram pouco benefício. O novo estudo analisou um grupo de fumantes para ver se a reposição de nicotina afetaria suas chances de largar o hábito ao longo do tempo – mas isso não aconteceu.

O mercado para produtos de reposição de nicotina decolou nos últimos anos, subindo para mais de R$1,4 bilhões anuais em 2007, de R$232 milhões em 1991.

Médicos que tratam fumantes disseram que as conclusões do estudo não foram inesperados, dada a forma casual como muitos fumantes usam os produtos. “A adesão dos pacientes é uma questão muito importante”, disse Dr. Richard Hurt, diretor do Centro de Dependência de Nicotina da Clínica Mayo, que não esteve envolvido no estudo.

Hurt disse que esses produtos são necessários, mas devem ser usados em combinações e doses de tratamento que correspondam às necessidades individuais de cada paciente, ao contrário dos fumantes que tentam se tratar sozinhos.

Os produtos têm provocado opiniões controversas desde 2002, quando pesquisadores da Universidade da Califórnia informaram a partir de uma ampla pesquisa que eles pareciam não oferecer nenhum benefício. Entretanto, o estudo não acompanhou fumantes por muito tempo.
Um painel do governo dos EUA que incluiu reposição de nicotina como parte das diretrizes federais para o tratamento do tabaco também veio sob o fogo, até porque os membros do painel tinham recebido pagamentos dos fabricantes dos produtos.

No novo estudo, realizado em Massachusetts, nos EUA, os pesquisadores acompanharam uma amostra representativa de 1.916 adultos, incluindo 787 pessoas que disseram no início do estudo que tinham recentemente parado de fumar.

Eles entrevistaram os participantes três vezes, uma vez a cada dois anos durante a década de 2000, questionando fumantes e ex-fumantes sobre o uso de chicletes, adesivos e outros produtos, os seus períodos sem não fumar e suas recaídas.

Em cada fase, cerca de um terço das pessoas tentando parar de fumar tiveram uma recaída. O uso de produtos de substituição de nicotina não fez diferença.

Um subgrupo, os que mais fumavam (definidos como aqueles que fumaram seu primeiro cigarro dentro de meia hora depois de acordar), que usaram produtos de substituição sem orientação foram duas vezes mais propensos a terem recaídas, comparados com os fumantes que não usavam.

Os pesquisadores afirmam que, embora a reposição de nicotina pareça ajudar as pessoas a parar de fumar, isso não é o suficiente para prevenir recaídas ao longo do tempo. A motivação importa muito, assim como o apoio de amigos, familiares, e as regras impostas no local de trabalho. Campanhas na mídia, impostos sobre o tabaco e o endurecimento de leis anti-fumo também tem mostrado efeitos positivos.
Fonte: hypescience.com

Nova vacina contra tuberculose conseguirá proteger adultos



Nova vacina contra tuberculose conseguirá proteger adultos
Nova vacina contra tuberculose conseguirá proteger adultos
A criação de uma vacina eficaz contra a bactéria causadora da tuberculose em roedores reavivou a esperança de uma proteção mais efetiva em pessoas adultas contra uma doença que a cada ano causa um milhão e meio de mortes.

A clássica vacina BCG é eficaz nas crianças, mas "não protege suficientemente o adulto contra a tuberculose pulmonar", explica o Instituto Pasteur, que concebeu esta vacina há cerca de um século.

A vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guérin) protege entre 50% e 75% dos adultos, o que torna impossível impedir a propagação e a erradicação da doença.

Recentemente, pesquisadores do Instituto Pasteur e do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) conseguiram modificar o genoma do bacilo responsável pela tuberculose, para obter "uma cepa não virulenta nos ratos", de acordo com um comunicado de ambos os centros.

As equipes coordenadas pelo Dr. Laleh Majlessi e pelo professor Claude Leclerc afirmaram que "os ratos imunizados com a cepa atenuada estão protegidos de forma muito eficaz contra a infecção por 'Mycobacterium tuberculosis'", a bactéria responsável pela doença.

Os pesquisadores descobriram que a sua versão modificada do bacilo de Koch (outro nome dado ao agente infeccioso descoberto pelo alemão Robert Koch) "provoca no rato uma reação imunológica mais forte do que a vacina BCG".

Assim, "a cepa mutante do 'Mycobacterium tuberculosis' é uma candidata para se tornar uma séria vacina contra a tuberculose", destacaram o Instituto Pasteur e o Inserm, cujas pesquisas foram publicadas na última quarta-feira (18) na revista americana Cell Host & Microbe.

No entanto, outros estudos serão necessários antes de a vacina ser usada em seres humanos.

O próximo passo é fazer uma mutação adicional para fornecer uma cepa totalmente inócua que pode ser testada em seres humanos.
A tuberculose se agravou nos países pobres. Com 9 milhões de novos casos a cada ano, é a segunda principal causa de morte entre as doenças infecciosas, atrás apenas da Aids.

O arsenal médico contra a tuberculose está desatualizado e tem se tornado menos eficaz com o surgimento de cepas super-resistentes à ação de antiobióticos.
Fonte: noticias.uol.com.br

Justiça Federal autoriza matrícula de crianças menores de 6 anos no país


Juiz Cláudio Kitner, de PE, estendeu decisão para todo o Brasil

Justiça Federal autoriza matrícula de crianças menores de 6 anos no país
Justiça Federal autoriza matrícula de crianças menores de 6 anos no país
A Justiça Federal em Pernambuco (JFPE) estendeu, na última sexta-feira (13/04), para instituições educacionais de todo o país, a decisão que confirma a garantia de acesso de crianças com seis anos incompletos à primeira série do ensino fundamental, desde que comprovada a capacidade intelectual através de avaliação psicopedagógica, a cargo de cada unidade educacional. A sentença foi dada pelo juiz Cláudio Kitner, da 2ª Vara da JFPE.

A decisão havia sido concedida para o estado de Pernambuco em liminar de ação civil pública, no ano passado, determinando a suspensão das Resoluções do Conselho Nacional de Educação (CNE) nº 01, de 14/01/2010 e nº 6, de 20/10/2010 e demais atos posteriores semelhantes.

Na sentença, o juiz dá um prazo máximo de 30 dias para que a União comunique às secretarias estaduais e do Distrito Federal o teor da decisão, sob pena de incidência de multa diária no valor de R$ 10 mil, revertida para o Fundo de Defesa de Direitos Difusos. Foi estabelecida também uma multa diária de R$ 100 mil para o caso de descumprimento da decisão pela União. Outra multa, no valor de R$ 30 mil, será aplicada se for expedido qualquer ato normativo contrário à determinação judicial.

O juiz Kitner argumentou em sua decisão que “permitir que seja matriculado um menor de seis anos de idade completados até 31 de março do determinado ano letivo que se inicia e deixar de fazê-lo em relação a outro educando que completaria a referida idade um dia ou um mês depois, por exemplo, redunda em patente afronta ao princípio da isonomia, sustentáculo da sociedade democrática informada pela Constituição da República, além de macular a dignidade da pessoa humana, ao obrigar crianças que não se incluam na faixa etária definida no critério das destacadas a repetirem de ano, obstando o acesso ao ensino fundamental, nível de ensino mais elevado, ainda que seja capacitado para o novo aprendizado”.

O magistrado também enfatizou que é “oportuno destacar que a definição da faixa etária dos seis anos para o início do ensino fundamental não se encontra calcado em estudos de alta análise científica que indiquem que esta é a idade recomendada para as crianças iniciarem a alfabetização”. Ainda de acordo com a sentença de Kitner, “o estado deve munir-se de meios para avaliar as crianças, por meio de comissões interdisciplinares, que levem em conta elementos psicopedagógicos, interações sociais, fatores socioambientais, entre outros, a fim de verificar se elas reúnem condições de avançar de fase de aprendizagem”.

Ainda cabe recurso à sentença, junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região. A União tem um prazo de 60 dias para recorrer. A assessoria de comunicação do Ministério da Educação informou que o MEC ainda não foi notificado da decisão.

Fonte: Globo.com, 19/04/2012.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A última face de Cristo

Técnica de reconstituição facial põe em xeque imagem clássica do rosto de Jesus
 

José Eduardo Barella
 
BBC
Resultado da simulação, com base no crânio de um judeu do século I: Cristo mais moreno
Rosto fino, nariz alongado, olhos castanhos (às vezes verdes ou azuis), pele clara, barba fina, cabelos lisos, longos e levemente ondulados. Com pequenas variações, é assim que o rosto de Jesus Cristo tem sido retratado ao longo dos séculos. Essa imagem tradicional, que transmite pureza e serenidade, tornou o rosto de Cristo um dos mais facilmente reconhecíveis do planeta. Na realidade, é impossível afirmar qual era sua aparência. Os Evangelhos não fazem nenhuma referência ao aspecto pessoal do filho de Maria. 

Em 2001, surgiu um bom palpite sobre como seria o rosto de Jesus. Trata-se de uma reconstrução, com ajuda de computador, a partir do crânio de um judeu do século I. O resultado, um Cristo com uma aparência levantina, causou surpresa, embora o senso comum apóie a nova imagem: pela última versão, o filho de Deus teria um rosto mais arredondado, com o nariz grosso, a barba mais espessa e, constatação óbvia, não poderia ter a pele alva de um nórdico. Afinal, nasceu e viveu sob o sol escaldante do Oriente Médio.

A mais nova face de Cristo pouco lembra a que ocupa o imaginário dos 2 bilhões de cristãos. Apesar do resultado, o trabalho de reconstrução, patrocinado pela rede inglesa de TV BBC para uma série religiosa orçada em 2,5 milhões de dólares, foi bem executado e é tecnicamente irrepreensível. O crânio selecionado por arqueólogos israelenses num antigo cemitério, perto de Jerusalém, como o mais representativo do biótipo dos judeus da época de Cristo foi enviado para a Universidade de Manchester, na Inglaterra. A partir daí, a técnica empregada foi a mesma utilizada em 1999 para reconstituir o rosto de Luzia, o fóssil mais antigo das Américas, de 11.500 anos, encontrado em Minas Gerais.

O crânio foi submetido a uma tomografia pelo professor Richard Neave, especialista em reconstituição facial que já havia trabalhado na reconstrução do rosto de Luzia. Com um computador, Neave obteve imagens tridimensionais que serviram de base para fazer um novo crânio com material sintético. Com esse molde, a face do contemporâneo de Cristo começou a ser delineada. Camadas de argila foram usadas para formar os traços do rosto, como nariz, queixo e bochechas. 

Pelo tipo de crânio e distância entre os olhos é possível calcular a espessura das sobrancelhas, tamanho e tipo do nariz. Outros detalhes, como a cor da pele e dos olhos e o comprimento dos cabelos, são imprecisos. Os modelos foram escolhidos com base em afrescos de sinagogas do Iraque que retratam a vida dos judeus na época de Cristo. "O resultado de Luzia foi mais surpreendente", afirmou a VEJA o professor Neave, que tem em seu currículo mais de 100 reconstruções faciais. "Na de Luzia, não tínhamos noção de como seria um rosto de 11.500 anos. O crânio israelense, que levou uma semana de trabalho, era previsível."

A Igreja Católica simplesmente ignorou o trabalho de Neave. Afinal, o crânio utilizado poderia ser de qualquer judeu da época, inclusive Judas. "A imagem de Cristo não é dogmática, mas de uso estratégico", diz Afonso Soares, professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Na África é comum encontrar imagens nas quais Cristo aparece como se fosse negro. A Santa Sé nunca se incomodou com essa interpretação livre." A imagem tradicional de Cristo, fixada principalmente pelos pintores renascentistas, não surgiu por decreto do Vaticano, e sim com base em relíquias. A mais conhecida é o Santo Sudário, o manto que teria servido de mortalha para o corpo de Cristo, cujas fisionomia e silhueta ali teriam ficado impressas. Vários detalhes do aspecto físico de Cristo, como altura (ele teria medido 1,83 metro), são baseados no manto, descoberto em 1354 na França e cuja autenticidade ainda não foi definitivamente comprovada.

Nos primeiros séculos do cristianismo, Cristo era representado por metáforas retiradas do Evangelho, como um pastor ou um cordeiro. À medida que as perseguições religiosas diminuíram, os simbolismos abriram espaço para imagens condizentes com o crescimento da Igreja Católica. 

No século IV, quando o cristianismo foi adotado como a religião do Império Romano, Cristo passou a ser retratado como um homem forte e invencível. Na época das Cruzadas, na Idade Média, a pele clara de Cristo nos quadros retratava as conquistas cristãs, pois os não-brancos eram vistos como pagãos. Com a posição de liderança da Igreja Católica consolidada, deu-se maior ênfase à imagem de humildade e sofrimento. Havia igualmente a preocupação de ressaltar sua dupla natureza, divina e humana, o que deu asas à imaginação dos artistas. A arte renascentista, com Leonardo da Vinci, Rafael, Ticiano e Michelangelo, foi a que deu contornos à imagem de Cristo que persiste até hoje, 500 anos depois. E não serão simulações em computador que a vão revogar.
 
No Sudário, a fonte de inspiração
A imagem tradicional de Cristo baseia-se, em parte, na fisionomia impressa no Santo Sudário. Em 1994, uma simulação em computador comprovou a semelhança com o rosto retratado pelos pintores
Reprodução
 
Jesus segundo os pintores
RAFAEL– Influenciado por Leonardo da Vinci, representava a grandeza heróica de Cristo DA VINCI – Mestre do Renascimento, pintou Cristo de maneira suave e com traços angelicais MICHELANGELO – Pintor e escultor, retratou Cristo de maneira épica e com formas atléticas
Gamma
Gamma
Gamma
LOTTO – Veneziano do século XVI, representou Cristo de maneira enigmática VELÁZQUEZ – O Cristo do mestre espanhol do século XVII era triste e amarrado à cruz TICIANO – O maior dos artistas venezianos retratou Cristo com um realismo assustador
 

Brasil é o quarto país com maior número de casos de anencefalia

As razões para que um país tenha mais ou menos casos são desconhecidas...
  As razões para que um país tenha mais ou menos casos são desconhecidas
O Brasil é o quarto país do mundo com maior prevalência de nascimentos de bebês com anencefalia (ausência parcial ou total do cérebro), segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). A incidência é de cerca de um caso para cada 700 nascimentos. O primeiro lugar é ocupado pelo País de Gales, onde são registrados de 5 a 7 casos para cada 1.000 nascimentos.

As razões para que um país tenha mais ou menos casos são desconhecidas. Sabe-se que existem fatores genéticos e ambientais envolvidos nesse tipo de má formação. "Mulheres diabéticas têm seis vezes mais chances de ter um bebê com a anomalia", comenta a médica Silvia Herrera, coordenadora de medicina fetal do Salomão Zoppi Diagnósticos.

O consumo de ácido fólico (uma vitamina do complexo B presente em vegetais como brócolis e folhas verdes) antes e no início da gestação é a única forma de prevenir o problema, mas não é o suficiente para evitar todos os casos.

Diagnóstico e riscos
Especialistas dizem que o diagnóstico é 100% confiável. Ele ocorre na 12ª semana de gestação, com o exame de ultrassom. "Na maioria das vezes, é feito um novo exame com 14 semanas", afirma Herrera. Segundo ela, é muito fácil para um profissional de saúde observar a anomalia no exame.

Especialistas afirmam que a gestação de um anencéfalo é arriscada para a mãe. Cerca de 50% das gestantes sofrem com o excesso de líquido amniótico, pois o feto tem dificuldade de degluti-lo. Como o útero aumenta muito, pode perder a capacidade de contração logo após o parto, resultando em hemorragia. Mas os médicos contrários ao aborto esclarecem que o problema pode ser prevenido com a punção do líquido.

Sobrevida
A anencefalia ocorre por um defeito no fechamento do tubo neural, estrutura que dá origem ao Sistema Nervoso. Costuma ocorrer entre o 21º e o 26º dia de gestação. Como a calota craniana (parte do crânio da sobrancelha para cima) não se forma, o cérebro fica exposto e vai sendo corroído pelo líquido amniótico. O grau da lesão varia de feto para feto.

A grande maioria dos bebês com anencefalia sobrevive por poucas horas ou dias após o nascimento. No entanto, como a lesão é variável, há casos em que a sobrevida é maior. Como o tronco cerebral (parte mais próxima da medula espinhal) é pouco afetado, a criança apresenta funções vitais, como batimentos cardíacos e pressão arterial. Mas a atividade cerebral não existe. É aí que começa a polêmica em relação ao aborto.

"A anencefalia é incompatível com a vida e corresponde à morte cerebral", diz o ginecologista e obstetra Thomaz Gollop, professor de genética médica pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Grupo de Estudos sobre o Aborto (GEA) da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Em apresentação do médico feita à Comissão de Cidadania e Reprodução, um eletroencefalograma de paciente com morte cerebral é comparado ao de um bebê anencéfalo - as linhas são praticamente iguais. Uma vez que é permitido desligar os aparelhos no primeiro caso, não faz sentido proibir a interrupção da gravidez nos casos de anencefalia, na visão do especialista.

Na prática
Embora a maioria dos médicos seja favorável ao aborto nesses casos, existem exceções. O ginecologista Dernival da Silva Brandão, membro da Comissão de Ética e Cidadania da Academia Fluminense de Medicina, é uma delas. "Todos os anencéfalos vão morrer, mas quem não vai morrer? Para mim, trata-se de um doente que deve ser tratado como qualquer outro", opina. Apesar da posição, ele diz que nunca acompanhou nenhuma gestação de anencéfalo que tenha sido levada até o fim. "O mundo de hoje é muito prático", critica.

Estima-se que, desde 1989, mais de 5.000 alvarás judiciais já tenham sido concedidos no Brasil para permitir a antecipação do parto em casos de anencefalia. Se os ministros do STF decidirem pela descriminalização do aborto nesses casos, portanto, o cenário não vai mudar muito. Mulheres que optarem pela continuidade da gravidez de um anencéfalo poderão seguir adiante. Já as que decidirem pela interrupção não vão mais precisar entrar na Justiça.

Fonte: noticias.uol.com.br